Novo livro mistura humor, pesquisa científica e entrevistas para ensinar como identificar e regular a chatice nas relações.
Ser chato pode custar amizades, oportunidades profissionais e até afetar a saúde mental. Pelo menos é o que indicam estudos sobre comportamento social. Partindo dessa premissa e com muito humor, o escritor, apresentador e comunicador Fernando Vítolo lança o livro “NÃO SEJA CHATO”, um guia irreverente sobre como reconhecer e lidar com a chatice nas relações do dia a dia.
Publicado pela Unites Press, o livro chega às livrarias em março de 2026 e já começou chamando atenção nas redes sociais: em menos de 15 dias de pré-venda, mais de 300 exemplares foram vendidos diretamente ao público do autor. A obra parte de uma constatação simples e desconfortável: todo mundo é chato em algum momento. O problema surge quando a chatice sai do controle. “A chatice incomoda. E todo mundo é chato. O problema é quando a chatice está desregulada”, afirma Vítolo.
Misturando humor, reflexão e exercícios práticos, o livro funciona como uma espécie de “termômetro social”, ajudando o leitor a perceber comportamentos que afastam as pessoas e a melhorar suas relações.
Entre os exemplos clássicos de chatice citados na obra estão:
- quem interrompe constantemente
- quem fala apenas de si mesmo
- quem manda áudios intermináveis
- quem reclama de tudo
- quem corrige os outros o tempo todo
“Conhecer uma pessoa chata é igual pisar no cocô: ambos deixam um rastro indesejável”, escreve o autor.
Pesquisa científica mostra que pessoas chatas são evitadas
Durante a pesquisa para o livro, Vítolo encontrou um estudo internacional que analisou como a chatice é percebida socialmente. O artigo científico “Existential escape of the bored: A review of meaning-regulation processes under boredom” analisou mais de 500 voluntários em cinco experimentos.
Entre as conclusões do estudo:
- pessoas consideradas chatas são frequentemente evitadas socialmente
- são percebidas como mais frias e menos competentes
- podem sofrer isolamento e solidão, aumentando riscos para a saúde mental
Segundo o pesquisador Wijnand Van Tilburg, um dos autores do estudo: “O próprio fato de as pessoas optarem por evitá-las pode levar ao ostracismo social.”
A pesquisa também revelou estereótipos curiosos, apontando quais seriam os empregos e hobbies considerados mais chatos pelos participantes.
Empregos considerados mais chatos:
- Analista de dados
- Contador
- Tributário / corretor de seguros
- Faxineiro
- Bancário
Hobbies considerados mais chatos:
- Dormir
- Religião
- Assistir TV
- Observação de animais
- Matemática
Para Vítolo, porém, o estudo revela algo ainda mais importante: “Tudo isso gira em torno de uma percepção. Agora imagine se a pessoa é chata de verdade.”
Campanha permite enviar o livro anonimamente para pessoas chatas
A divulgação do livro também ganhou uma campanha bem-humorada nas redes sociais. Quem comprar o livro pode pedir que ele seja enviado de forma anônima para alguém considerado chato, sem que o remetente seja identificado. A ação já virou tema de vídeos curtos e cortes publicados nas redes do autor, onde ele comenta situações clássicas de convivência e provoca o público a refletir sobre o próprio comportamento.
Quadrinhos, entrevistas e até música no livro
Além do texto principal, “NÃO SEJA CHATO” traz elementos pouco comuns em livros de comportamento:
- quadrinhos por Érico San Juan
- exercícios práticos
- QR Codes que levam a entrevistas exclusivas em vídeo
Entre os entrevistados estão nomes como: Heródoto Barbeiro, Bernardo Veloso, Fafy Siqueira, Marcos Aguena, Claudio Manoel, Marcelo Mansfield, Marcelo Duarte, Pedro Bismarck (Nerson da Capitinga), Cris Wersom, Jansen Serra, Beth Moreno, Renata Said
O livro também conta com uma curiosidade musical: uma canção sobre a figura do chato, composta especialmente para o projeto pelo músico Wandi Doratiotto.
Humor e autocrítica
Ao longo do livro, Vítolo não poupa ninguém. Nem ele mesmo. “É chato falar para não ser chato.”. “O único lugar onde chato não incomoda é no dicionário.”. “Ser humorista não te faz automaticamente legal. Aliás, tem uns que só são suportáveis quando estão com roteiro.”. Para o autor, a proposta do livro não é atacar pessoas, mas provocar reflexão: “Você não precisa ser engraçado para ser bem-humorado.”
