A Sculpt vive um ciclo de crescimento estruturado: aumento do valor médio dos contratos, nova gestão e atuação cada vez mais próxima da estratégia dos negócios dos clientes. Em 2026, sua fundadora, Nina Leonel assumiu também a diretoria de marketing da AGS (Associação Gaúcha de Startups) e participou de eventos como Gramado Summit, South Summit e CMO Summit. Nesta entrevista para a Academia Brasileira de Marketing, ela fala sobre as decisões que mudaram a trajetória da consultoria, os erros mais comuns que encontra nas empresas, os desafios do marketing industrial e o que significa construir um legado no empreendedorismo.
1 – A Sculpt vem de um ciclo intenso, com crescimento em 2025, aumento do valor médio dos contratos e uma nova estrutura de gestão. Quais foram as principais decisões que permitiram essa virada e como elas influenciam as perspectivas de negócios para o restante de 2026?
A principal decisão foi deixar de competir por volume e passar a competir por relevância.
Nos últimos anos, fomos refinando nossa atuação para trabalhar cada vez mais próximos da estratégia dos negócios. Isso significou selecionar melhor os projetos, aprofundar os diagnósticos e ampliar nossa participação em decisões que impactam posicionamento, geração de demanda, integração entre áreas e crescimento.
Também estruturamos melhor nossa operação interna, criando processos mais consistentes, indicadores de acompanhamento e uma gestão mais madura. Isso trouxe mais previsibilidade tanto para nós quanto para os clientes.
Como consequência, percebemos um aumento natural do valor médio dos contratos, não porque reajustamos preços de forma isolada, mas porque passamos a entregar projetos com maior profundidade estratégica e impacto no negócio.
Para o restante de 2026, enxergamos um cenário bastante positivo. Existe uma demanda crescente por clareza estratégica. Muitas empresas estão investindo em marketing, tecnologia e vendas, mas ainda enfrentam dificuldades para conectar essas iniciativas em uma direção única. É justamente nesse espaço que a Sculpt atua.
2 – Na prática, qual é o erro mais recorrente que encontra quando uma empresa procura a Sculpt? E por onde normalmente começa a reconstrução dessa estratégia?
O erro mais recorrente é acreditar que o problema está na execução quando, na verdade, está na definição da direção.
É comum encontrarmos empresas investindo em marketing, realizando ações comerciais e produzindo conteúdo, mas sem uma clareza real sobre posicionamento, diferenciais competitivos ou prioridades estratégicas.
Quando isso acontece, o esforço aumenta, mas os resultados nem sempre acompanham.
Por isso, a reconstrução normalmente começa com uma etapa de investigação. Antes de propor soluções, buscamos entender profundamente o negócio, o mercado, os clientes, a percepção da marca e os objetivos de crescimento.
A partir desse diagnóstico, conseguimos identificar os principais ruídos e definir prioridades. Só então avançamos para comunicação, marketing, geração de demanda ou qualquer outra frente operacional.
Estratégia, para nós, não é criar mais ações. É reduzir a distância entre onde a empresa está e onde ela deseja chegar.
3 – A Sculpt tem uma atuação forte junto ao setor industrial, um segmento que historicamente cresceu por relacionamento e qualidade técnica. Quais são os principais desafios de marketing nesse mercado? E que lições a indústria pode oferecer para empresas de outros segmentos?
A indústria possui uma característica muito interessante: ela entende profundamente seus produtos, processos e operações. O desafio normalmente não está na competência técnica, mas na tradução desse valor para o mercado.
Muitas empresas industriais ainda enfrentam dificuldades para comunicar diferenciais, construir autoridade e gerar demanda de forma estruturada. Em alguns casos, existe uma dependência excessiva de relacionamento comercial ou indicação.
Ao mesmo tempo, a indústria tem muito a ensinar para outros segmentos. Existe uma disciplina operacional, uma visão de longo prazo e uma preocupação com consistência que muitas empresas poderiam adotar.
O que vemos com frequência é que negócios industriais bem posicionados conseguem unir dois elementos extremamente poderosos: excelência técnica e clareza de comunicação. Quando isso acontece, a percepção de valor cresce de forma significativa.
4 – Em 2026 você assumiu a diretoria de marketing da AGS (Associação Gaúcha de Startups) e participou ativamente de eventos como Gramado Summit, South Summit e CMO Summit. Em um momento em que se fala tanto em networking, qual é a diferença entre simplesmente estar presente e efetivamente gerar negócios e oportunidades?
Participar de eventos é importante, mas presença, por si só, não gera resultados.
Existe uma diferença significativa entre ocupar um espaço e construir conexões relevantes dentro dele.
Os melhores resultados que obtive em eventos vieram quando existia um objetivo claro antes mesmo de chegar ao local: quais conversas quero ter, quais temas desejo aprofundar, quais relações podem gerar aprendizado, parcerias ou oportunidades futuras.
Outro ponto importante é entender que networking não é uma atividade de curto prazo. Muitas das conexões mais valiosas surgem meses depois do primeiro contato.
Vejo os eventos como ambientes de construção de relacionamento e reputação. Quando existe consistência, troca genuína e acompanhamento posterior, as oportunidades aparecem como consequência.
5 – Como fundadora e líder de uma consultoria dirigida por mulheres, quais foram os principais desafios e aprendizados da sua trajetória? E que mensagem deixaria para estudantes e jovens profissionais de comunicação e marketing que desejam empreender, crescer e construir um legado?
Empreender sempre envolve desafios, independentemente do setor ou do perfil do empreendedor. No meu caso, um dos principais aprendizados foi entender que crescimento sustentável exige muito mais do que conhecimento técnico.
É preciso desenvolver capacidade de gestão, tomada de decisão, visão de negócio e, principalmente, resiliência para atravessar momentos de incerteza.
Também aprendi que construir uma empresa é um exercício contínuo de evolução. A cada fase surgem novos desafios, novas responsabilidades e novos aprendizados.
Para quem está começando, minha principal mensagem é que não tenha pressa em buscar reconhecimento. Invista primeiro em repertório, experiência e profundidade.
O mercado valoriza profissionais que conseguem conectar conhecimento técnico com visão estratégica e capacidade de execução.
E, acima de tudo, mantenha a curiosidade. As ferramentas mudam, os canais mudam e as tecnologias evoluem. O que permanece é a capacidade de compreender pessoas, negócios e mercados. Essa continua sendo uma das competências mais valiosas para quem deseja construir uma carreira sólida e gerar impacto ao longo do tempo.
Conforme publicado pela Academia Brasileira de Marketing, a fundadora da Sculpt compartilhou em entrevista sua visão sobre estratégia empresarial, marketing industrial, networking em eventos e liderança feminina no empreendedorismo, após um ciclo de crescimento em 2025 e a assunção da diretoria de marketing da Associação Gaúcha de Startups em 2026.