Borogodó estreia com Monique Evelle: “A minha verdade é o que vende”

Novo podcast da Academia Brasileira de Marketing, em parceria com a Brasis e apresentação de Fabio Madia e Felipe Guerra, recebe a investidora, Shark do Shark Tank Brasil e fundadora da Inventivos para falar sobre trajetória, curadoria de negócios e o peso emocional de ser referência.

A Academia Brasileira de Marketing estreia o Borogodó, novo podcast produzido em parceria com a Brasis, com apresentação de Fabio Madia e Felipe Guerra, CEO da Brasis. A primeira convidada é Monique Evelle, baiana de Salvador, fundadora da Inventivos — plataforma que integra educação, tecnologia e investimento —, Shark do Shark Tank Brasil e uma das nomes que a Forbes Brasil incluiu, em 2026, na lista das mulheres mais poderosas e influentes do país.

Da Bahia para o mundo: uma trajetória construída fora da caixa

Monique conta que começou a empreender aos 16 anos, ainda sem saber nomear o que estava fazendo. Nascida na periferia de Salvador, filha de um chefe de segurança e de uma dona de casa, ela credita aos pais a permissão para sonhar fora do script. “A gente teve essa permissão, porque talvez em outra realidade, jamais um pai ou uma mãe diria: tá bom, não vai mandar currículo. Foi por isso que eu consegui criar essa realidade que eu quero viver e continuo vivendo hoje”, contou.

O primeiro negócio, batizado Desabafo Social, nasceu ainda no grêmio estudantil e traduzia o “juridiquês” — como o Estatuto da Criança e do Adolescente — para a cultura pop. “Eu falei: se eu consigo traduzir isso, eu consigo traduzir isso para dentro das empresas”, relembrou. Na faculdade, ela driblou a lógica de “se encaixar em uma caixinha” ao cursar Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades na UFBA, um curso então tão novo que ninguém sabia explicar para que servia.

Profissão Repórter e a lição do “tempo que dá”

Um encontro casual em uma padaria da Globo mudou o rumo da carreira: o jornalista Caco Barcellos ouviu Monique conversando e a convidou para trabalhar no Profissão Repórter. Ela aceitou, ficou até 2018 e usou o período para entender, segundo ela, “o que eu não queria” — antes de voltar para os negócios.

Foi dali que nasceu um princípio que ela chama de “tempo que dá”: todo ano, ela se imerge por meses em um lugar do mundo para formar repertório, recusando o formato de imersões relâmpago. “Eu não vou fazer imersão de cinco dias e voltar dizendo que sou inovadora. Isso é impossível”, afirmou, citando passagens de meses pelo Vale do Silício, por Austin, por Cabo Verde e, atualmente, por Barcelona — de onde já planeja a próxima temporada, na Ásia.

Como aconteceu o convite para o Shark Tank

Antes do Shark Tank, Monique foi jurada e mentora do reality Self Made Brasil, ao lado de Guga Rocha e Fernando Andreazzi. O primeiro convite para o Shark Tank, ela recusou: “Eu sou investidora, não é porque vocês não sabem, mas eu não estou nas revistas.” O segundo, em 2023, veio logo depois de ela tirar dois meses de viagem. Na conversa com a produção, ela deixou um recado direto: “Eu não vou brincar no tanque. Eu preciso fazer a melhor curadoria que eu posso para mim, porque o meu patrimônio foi feito assim.” Entrou como Shark fixa na quarta temporada, ao lado de Carol Semenzato e Sérgio.

O peso emocional de investir

Monique foi direta sobre o lado que não aparece na edição do programa: o cansaço emocional de lidar com empreendedores que, segundo ela, muitas vezes veem no investidor uma figura de salvação — inclusive fora do horário comercial. “Já teve uma situação muito delicada, de violência doméstica, em que a pessoa me ligou de madrugada. Eu liguei para os outros investidores, cinco no total. Ninguém recebeu essa ligação, só eu”, contou. Hoje, ela inclui cláusula de terapia obrigatória em contratos com empreendedores investidos como sócios.

A crítica ao rótulo “regional”

Um dos pontos mais fortes da conversa foi a crítica de Monique — reforçada por Felipe Guerra — ao uso do termo “regional” para descrever qualquer coisa fora do eixo Rio-São Paulo. “Regional é qualquer região. Se eu sou do Nordeste, o Sudeste também é uma região. Mas sempre é o outro que vira regional”, disse. Felipe Guerra complementou que o mercado segue tratando iniciativas fora do eixo como acessórias: “A gente ainda vê negócios pensados para essas regiões, mas centralizados em São Paulo e Rio de Janeiro, sem os profissionais locais participando de fato.”

Inventivos, curadoria e um instituto no horizonte

Sobre o modelo atual da Inventivos, Monique explicou que a empresa evoluiu de formar empreendedores do zero para atuar como curadora, direcionando negócios prontos para receber investimento, além de projetos B2B com empresas como Natura, iFood e Itaú. Ela também adiantou que estuda transformar a frente formativa da Inventivos em um instituto, mantendo a curadoria de investimentos na empresa. “É uma coisa que eu sempre quis fazer como devolução de tudo o que eu construí. Pode ser ano que vem ou pode ser a qualquer momento”, disse.

“Borogodó é a verdade”

Ao ser perguntada sobre o significado do nome do podcast aplicado à própria trajetória, Monique resumiu sua filosofia: “Meu borogodó é a verdade. Eu não precisei me moldar para caber, seja no Profissão Repórter, seja no Shark Tank, seja aqui. E tem gente que vai se conectar e tem gente que não vai. Está tudo bem.” Ela também citou a rapper Duquesa como o nome da nova geração criativa que mais a inspira hoje: “Ela sabe reger a carreira dela de um jeito tão brilhante que eu fico abismada. Ela deveria estar sentada em várias mesas de negócios.”

LinkedIn
WhatsApp
X
Threads

Leia mais conteúdos em https://abramark.com.br

Pesquisa

Pesquise abaixo conteúdos e matérias da Academia Brasileira de Marketing

Acelerado por ecommerce.CAMP/portais Portais de alta performance com IA que aprendem a cada visita,
indexados e otimizados para SEO, GEO e LLMs, em piloto automático.