Canetas à base de liraglutida devem mais que dobrar o faturamento em 2026, sustentadas por investimento industrial, escala produtiva e ampliação do acesso
As canetas injetáveis à base de liraglutida foram responsáveis por um faturamento de R$ 100 milhões para a EMS, a maior indústria farmacêutica no Brasil. Em 2026, a meta é superar R$ 250 milhões em receita apenas com estes itens, consolidando um novo ciclo de crescimento no segmento de terapias metabólicas. O desempenho reflete a combinação entre investimento industrial, previsibilidade regulatória e expansão consistente do mercado no país.
Em 2025, o volume comercializado ultrapassou 350 mil canetas, evidenciando a rápida maturação do mercado e a capacidade produtiva da fábrica da EMS, localizada em Hortolândia (SP), responsável pela produção de peptídeos por meio de uma plataforma proprietária de síntese química desenvolvida no Brasil. A estrutura garante escala, autonomia produtiva e competitividade em um segmento historicamente dependente de importações.
Os resultados são fruto do investimento de R$ 1 bilhão já realizado pela EMS, sendo que a planta de peptídeos da EMS viabilizou a produção nacional de medicamentos de alta complexidade e ampliou a disponibilidade das terapias em todos os estados brasileiros. As canetas OLIRE® e LIRUX® foram aprovadas pela Anvisa como novos medicamentos, atendendo a critérios rigorosos de qualidade, segurança e eficácia.
O impacto da chegada das canetas também se refletiu de forma direta na prática clínica. Dados da Close-Up Internacional mostram que o número de médicos que passaram a prescrever liraglutida quadruplicou no quarto trimestre de 2025 em comparação com o mesmo período de 2024, impulsionado pela ampliação do acesso, pela capilaridade nacional e pela maior previsibilidade de oferta do medicamento. No mesmo período, segundo o Google Trends, o termo “liraglutida” atingiu o maior volume de buscas da história durante o lançamento das marcas da EMS, em julho de 2025, evidenciando a demanda reprimida e o interesse crescente da população por essa classe terapêutica.
Segundo o vice-presidente da EMS, Marcus Sanchez, o desempenho comercial das canetas reflete a confiança do mercado na companhia e a consistência da estratégia adotada. “Esse resultado mostra que o mercado respondeu de forma muito consistente à proposta da EMS. Existe uma confiança construída ao longo de décadas, baseada em rigor regulatório, qualidade industrial e previsibilidade de oferta. O faturamento reflete não apenas a demanda por essa classe terapêutica, mas a segurança que médicos, pacientes e o varejo têm em uma empresa que segue todos os ritos, investe em ciência e entrega soluções com escala e responsabilidade”, afirma.
Para o executivo, os números também são consequência de um trabalho estruturado ao longo de anos, com foco em precisão e planejamento. “Nada em saúde é imediato. O lançamento de OLIRE® e LIRUX® é resultado de um trabalho de longo prazo, que envolve pesquisa, investimento industrial, rigor regulatório e planejamento. Não se trata apenas de colocar um produto no mercado, mas de garantir escala, qualidade e acesso sustentável”, diz Sanchez. “O que estamos vendo agora é a materialização de decisões tomadas dez anos atrás. Investir em ciência e indústria no Brasil permite lançar com precisão, no tempo certo, e com impacto real para médicos, pacientes e para o sistema de saúde.”
Expansão internacional e semaglutida
Em 2026, a estratégia ganha escala internacional. No primeiro trimestre, a EMS inicia a comercialização de canetas de liraglutida na Europa, a partir da Sérvia — onde está localizada a Galenika, farmacêutica da EMS — com expansão prevista para outros mercados europeus ainda no primeiro semestre. A companhia também avança nos preparativos para entrada no mercado norte-americano, o maior e mais competitivo do setor farmacêutico global.
Paralelamente, a EMS se prepara para a próxima fase de seu portfólio em terapias metabólicas, com foco na semaglutida após a expiração de patente prevista para 2026. O movimento faz parte de uma estratégia mais ampla de ampliação de acesso, domínio tecnológico e fortalecimento da produção local, sempre em alinhamento com os marcos regulatórios.
Com presença em mais de 60 países e uma estrutura industrial integrada no Brasil e na Europa, a EMS projeta que suas terapias para obesidade e diabetes possam alcançar até US$ 2 bilhões em receitas globais nos próximos anos, sustentando um novo ciclo de crescimento baseado em inovação, escala produtiva e posicionamento estratégico de longo prazo.








