Seis dos dez pratos no topo do ranking brasileiro usam o aparelho, e as duas primeiras posições vêm de receitas que viralizaram nas redes
Resumo rápido
- Seis das dez receitas mais pesquisadas no Google Brasil em 2025 levam air fryer.
- O morango do amor lidera o ranking, seguido pelo biscoito do Round 6 e pelo ovo de Páscoa caseiro.
- O morango cravejado foi a viralização seguinte, com pico de buscas no fim de agosto de 2026.
- O setor de padaria e confeitaria com produção própria tinha 201.940 empresas ativas em 2025, segundo o Sebrae.
- Analistas de tendência alertam que a velocidade da viralização não garante permanência no cardápio.
A air fryer está em seis das dez receitas mais pesquisadas no Google Brasil em 2025, segundo o levantamento anual da empresa. É o dado mais revelador de um ranking que, no topo, é dominado por receitas nascidas nas redes sociais.
A lista completa, na ordem divulgada pelo Google, é: morango do amor, biscoito do Round 6, ovo de Páscoa caseiro, batata frita na air fryer, pudim na air fryer, batata-doce na air fryer, bolo na air fryer, uva do amor, pastel na air fryer e peixe na air fryer.
As duas primeiras posições têm a mesma origem. O morango do amor viralizou em vídeo curto e atingiu o pico de buscas entre 20 e 26 de julho de 2025. O biscoito do Round 6, o doce de açúcar caramelizado da série sul-coreana, chegou na esteira da terceira temporada. A uva do amor, na oitava posição, é desdobramento direto do primeiro.
O caso seguinte: morango cravejado
A viralização mais recente do gênero foi o morango cravejado, cuja curva de busca tem data e tamanho conhecidos: as pesquisas pelo termo cresceram 1.460% e atingiram o pico em 28 de agosto de 2026.
No delivery, os números variam conforme a janela medida. Levantamentos divulgados na época registraram crescimento de 350 vezes nos pedidos pelo iFood entre 20 e 26 de agosto, e de 1.053 vezes entre 20 e 30 de agosto. Nas redes, a hashtag reunia mais de 5 mil vídeos no TikTok e cerca de 23 mil publicações no Instagram.
Vale a ressalva de método: são dados de agosto e setembro, e não há levantamento público posterior que indique se o patamar se manteve.
A contrapartida: viralizar não é virar hábito
É justamente aí que a leitura do fenômeno se divide. A consultoria de tendências WGSN classifica o movimento como “cultura dos virais” e sustenta o oposto da leitura otimista: o ritmo acelerado de adoção não garante permanência no cardápio.
A distinção importa para quem decide produção, compra de insumo ou lançamento de produto. Uma receita que mobiliza milhares de vídeos em duas semanas pode ser um pico de curiosidade, e não a formação de um hábito.
O que acontece depois da cozinha
Há, porém, um efeito que não depende de a receita sobreviver. Parte de quem testa passa a vender.
Segundo o Observatório do Sebrae, a fabricação de produtos de padaria e confeitaria com predominância de produção própria reunia 201.940 empresas ativas em 2025, e 92,7% das novas empresas do setor eram MEIs. A presença feminina é dominante: 61,4% da força de trabalho é composta por mulheres.
É um retrato de entrada de baixo custo, em que a cozinha doméstica funciona como primeira instalação produtiva e a tendência da semana funciona como teste de mercado sem risco de estoque.
A leitura da indústria
Para os fabricantes de eletroportáteis, a sequência interessa duas vezes: no consumidor que quer reproduzir a receita vista no feed e no microempreendedor que começa a produzir para vender.
“As receitas que viralizam mostram que o consumidor quer experimentar, e o produto eletrodoméstico ideal ajuda a transformar essa vontade em um excelente resultado, com mais praticidade, facilidade e qualidade, tanto para quem cozinha por prazer quanto para quem está começando a empreender”, diz Maria Cristina da Matta Silva, VP comercial da Britânia.
A presença da air fryer em seis das dez receitas mais buscadas dá a medida do que está em disputa: o ranking deixou de ser uma lista de pratos e passou a ser, também, uma lista de aparelhos.

