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Da realidade das ruas para o realismo nas telas

Atual Arty, artista visual da Zona Norte de São Paulo, referência no realismo e na cultura Hip Hop

Atual Arty e a arte como forma de subverter a realidade 

 

Por Patrícia Mamede

 

Anderson Silva, mais conhecido no meio artístico como Atual, cresceu na Zona Norte de São Paulo, onde viveu uma infância instável, marcada por dificuldades sociais e financeiras. Durante longos períodos da juventude, fez bicos e transitou por diversas áreas para sobreviver financeiramente. Antes de se afirmar como artista, foi feirante, funileiro, office boy e um tanto de outras coisas. Ainda assim, nos diferentes bolsos de seus variados uniformes, levava sempre consigo um sonho e um pequeno caderno, “quando ganhava um tempo, desenhava”.

 

Aos sete anos, Atual já sentia uma inclinação quase inevitável do corpo em direção ao papel e à caneta, ainda que, muitas vezes, lhe faltasse o próprio papel, inacessível para a realidade financeira da família. Na escola, encontrava nos amigos e nas competições divertidas de desenho uma forma de brincar e, ao mesmo tempo, escapar da precariedade que o cercava.

 

“O desenho para mim sempre foi um jeito de fugir.”

 

 

Por imprimir um desejo verdadeiro em suas criações, familiares e professoras reconheceram cedo sua aptidão e o incentivaram a seguir pelo caminho da arte. Ao falar sobre essas figuras e a significância que tiveram em sua trajetória, Atual se emociona, principalmente quando se lembra de sua relação com a sua falecida avó. 

 

Com um pai ausente e criado pela mãe, pelas tias e pela avó, Anderson reconhece que foram as mulheres que teceram a base sólida sobre a qual ele pôde construir seus caminhos. Ainda assim, ao narrar sua trajetória, faz questão de percorrer todos os sobrenomes que o acompanharam durante seu sonho e que lhe ofereceram as ferramentas necessárias para que pudesse, enfim, construir o seu próprio.

 

Embora o desenho tenha sido, na infância, um exercício solitário, sua formação também foi atravessada por manifestações coletivas e profundamente sociais, como as rodas de samba que frequentava e o contato próximo com a cultura Hip Hop. Foi esse universo que, mais tarde, o levou ao coletivo DAVILA — um espaço de resistência e expressão ligado às culturas Hip Hop e Lowrider.

 

Não por acaso, a figura mais recorrente em seus trabalhos são os cachorros — símbolo de lealdade, proteção e pertencimento à matilha, representando família e amigos. Para além do companheirismo, os cães de Atual, sempre parrudos, de médio e grande porte, refletem a estética e a força da cena Hip Hop. São imagens que carregam a seriedade de uma luta contra o racismo, contra a desigualdade, a favor da consciência política e da valorização da cultura periférica.

 

 

Vindo de uma origem frequentemente desacreditada, Atual encontrou na arte, mais especificamente no realismo, uma possibilidade de redesenhar a própria realidade. Foi por meio dela que ultrapassou fronteiras, viajando e pintando em outros países.


Hoje, sua produção se ancora em uma técnica realista refinada. Antes de ter acesso à internet, sua busca por referências era constante, através de revistas de banca e jornais. Foi por meio da observação minuciosa de traços, luz e sombra que nasceu sua curiosidade pela técnica.

Esse rigor se tornou, com o tempo, um dos principais diferenciais de seu trabalho. Suas reproduções fiéis só definem sua linguagem, como também o posicionam de forma estratégica no mercado, especialmente em projetos que exigem precisão em grande escala, como aconteceu em trabalhos para a Natural One e Maurício de Souza em parceria com a Dionisio.AG

No decorrer de sua carreira, trabalhou com o renomado Kobra, que notou os trabalhos de Atual nas ruas e o convidou para fazer um projeto com ele para a Voit Consultoria.  Uma obra gigante que, posteriormente, o levou a trabalhar em uma arte no Play Center. 

Emotivo, Atual não hesita ao afirmar que a arte salvou sua vida, sobretudo diante das dificuldades que enfrentou na infância periférica. Para ele, a arte é infinita, sempre soma, sempre transforma. E, tendo sido transformado por ela, conclui, sem rodeios que “arte é transformação mesmo”.

 

Se quiser conhecer mais sobre Atual Arty, clique aqui e confira seus trabalhos. 

 

Conforme publicado pela Academia Brasileira de Marketing, Atual Arty — nome artístico de Anderson Silva, artista da Zona Norte de São Paulo — construiu uma trajetória de realismo, Hip Hop e resistência periférica que o levou a projetos com Eduardo Kobra, Natural One e Maurício de Souza.

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