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Gabriela Onofre, CEO do Publicis Groupe no Brasil, fala sobre criatividade, dados e o futuro da comunicação

Gabriela Onofre, primeira CEO do Publicis Groupe no Brasil, entrevistada no podcast da Academia Brasileira de Marketing

No podcast da Academia Brasileira de Marketing, Gabriela Onofre — primeira CEO do Publicis Groupe no Brasil — conversou com Fabio Madia sobre a trajetória que a levou da engenharia de alimentos ao comando do maior grupo de comunicação do mundo no país, e sobre como dados, criatividade e inteligência artificial estão redefinindo o negócio.

 

 

Da engenharia à publicidade

Gabriela Onofre começou na engenharia de alimentos, mas foi como diretora de marketing da empresa júnior na faculdade que descobriu sua vocação. Entrou na P&G como trainee e ficou 18 anos — período que define como sua grande escola de negócios, marketing e construção de marca. Depois, liderou um business global na Johnson & Johnson, com foco em países em desenvolvimento, antes de dar um salto para o ecossistema de tecnologia ao se tornar vice-presidente e sócia da Unico, um dos unicórnios brasileiros.

“Precisava pular para a tecnologia para não ficar a velha do marketing”, afirma, com humor. O movimento inverso veio quando o Publicis Groupe a chamou para criar e liderar uma posição inédita no Brasil: a de CEO do grupo.

De conglomerado a grupo

Ao chegar ao Publicis Groupe Brasil em agosto de 2023, Gabriela encontrou um conjunto de agências que ainda operavam de forma fragmentada. Seu primeiro desafio foi transformar esse conglomerado em um grupo coeso — sem apagar a identidade de cada agência, mas criando estruturas compartilhadas que liberassem as equipes para o que realmente importa.

“O centro monta as peças do Lego. As agências montam o Lego. E cada cliente precisa de um Lego diferente.”

Centralizou RH, finanças, negociação de mídia e produção. Criou uma área de novos negócios. E manteve nas agências o que não pode ser padronizado: o pensamento estratégico, o conhecimento do consumidor e a solução criativa.

O grupo hoje reúne Leo, DPZ, Talent, Agência Publicis e Le Pub nas agências de publicidade; a Arque em experiência e jornada; a Ed em dados e tecnologia; a Publicis Production em produção e distribuição; o PMX em soluções de mídia; e a Epsilon em inteligência de dados — além da BR Mídia, adquirida há cerca de um ano.

A aquisição da BR Mídia e o mercado de creators

A decisão de adquirir a BR Mídia partiu de uma leitura clara: o Brasil é um dos mercados onde a economia dos creators é mais forte do mundo — pela natureza cultural do brasileiro e pela penetração das plataformas.

“A gente sempre foi influenciado. Seja pela novela, pelo que está acontecendo na cultura. A gente fala de propaganda com os amigos. Sempre foi sobre essa conexão.”

Gabriela conta que iniciou o processo com uma parceria preferencial, testando a relação antes da aquisição. “A gente namora, sabe onde é, depois casa.” O namoro deu certo — para os clientes, para o grupo e para a cultura das duas organizações.

O diferencial que justificou a movimentação: quando a estratégia de influência começa junto com a criação e o planejamento de negócio, o retorno para a marca é significativamente maior.

Inteligência artificial no dia a dia

Para organizar a adoção de IA em um grupo com múltiplas agências e mais de duas mil pessoas, Gabriela apostou em estrutura antes de entusiasmo. O grupo opera a plataforma Marcel — com o módulo Play, desenvolvido em parceria com a Microsoft — que oferece agentes de IA customizados por função: estratégia, mídia, criação, operações.

“A gente vira mais pensante do que operante. Isso é a coisa maravilhosa da inteligência artificial.”

Na mídia, processos que antes consumiam horas em planilhas estão automatizados. Na criação, protótipos que levavam dias agora podem ser gerados em minutos. O resultado: mais tempo para pensar, menos tempo para operar.

A volta da criatividade ao centro

Depois de anos de qualificação em mídia, dados e tecnologia, Gabriela vê o mercado retornando ao que sempre foi a alma do negócio: a criatividade.

“Tudo vai mudar menos a criatividade”, citou Maurice Lévy, fundador do Publicis. E Gabriela complementa com sua própria leitura: “Quando a gente tem uma coisa bacana, ela gera alguma emoção. Você chora, você ri, você manda pelo WhatsApp para a família. Aquilo te toca de alguma maneira.”

O desafio, hoje, é ser criativo em um ambiente de pluralidade de meios, fragmentação de audiências e always-on permanente. Mais difícil — e mais necessário do que nunca.

Sobre Gabriela Onofre

Com mais de 25 anos de atuação em Marketing e Inovação, Gabriela Onofre tornou-se CEO do Publicis Groupe no Brasil em agosto de 2023. Antes, foi vice-presidente e sócia da Unico. Em sua trajetória, liderou construção e expansão de marcas em P&G e Johnson & Johnson. Foi reconhecida como Women to Watch pelo Meio & Mensagem, como uma das 100 mulheres de destaque em Inovação pela Época Negócios e venceu o Caboré 2025 como Dirigente da Indústria da Comunicação.

 

Conforme publicado pela Academia Brasileira de Marketing, Gabriela Onofre, primeira CEO do Publicis Groupe no Brasil e vencedora do Caboré 2025, falou no podcast da Academia sobre a transformação do grupo, a aquisição da BR Mídia, o uso de IA no dia a dia das agências e o retorno da criatividade ao centro do negócio de comunicação.

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