5 Perguntas Para Luisa Braga: posicionamento de marca no digital, trends e o valor do repertório

Luisa Braga fundadora da LB Marketing especialista em posicionamento de marca no digital responde 5 perguntas para a Academia Brasileira de Marketing

Luisa Braga construiu sua visão sobre marcas a partir de um ponto pouco comum: o incômodo. Incomodava-a o marketing superficial que via de perto nas empresas. Incomodava-a o conteúdo que existe, mas não marca. Com formação em Marketing, pós em Social Media Strategy pela EDIT em Lisboa e passagem por grandes grupos do varejo de moda como Inbrands e GEP, ela fundou a LB Marketing no interior de São Paulo e hoje trabalha posicionamento de marca para profissionais liberais e pequenas empresas em todo o país. Nas cinco respostas abaixo, ela é direta sobre o que separa presença de posicionamento — e por que o repertório individual virou o maior diferencial numa era de conteúdo automatizado.

 

1 – Estamos vivendo um momento em que as marcas produzem cada vez mais conteúdo, mas nem sempre conseguem se posicionar com clareza. Na sua visão, o que explica esse cenário?

Eu acho que hoje existe uma pressão muito grande de estar presente o tempo todo.
As marcas sentem que precisam postar, aparecer, acompanhar tudo, e viralizar, mas muitas vezes sem parar pra pensar no que realmente querem comunicar. Tem muito conteúdo sendo produzido, mas pouca construção de mensagem. Falta clareza de base mesmo, de entender com quem está falando, como quer ser percebida, se não vira um conteúdo que até existe, mas não marca e não constrói posicionamento.

 

2 – Olhando para a sua trajetória, quais decisões ou aprendizados foram determinantes para a forma como você enxerga hoje a construção de marca no digital?

Acho que o principal foi perceber que marketing não é só execução.

No começo, eu achava que era só sobre números, postar, seguir tendência, manter a frequência… Mas, com o tempo, eu fui entendendo que faltava profundidade.

Minha formação em design também influenciou muito, sempre tive um olhar mais estético e fui conectando isso com comunicação. Eu vi de perto como muitas empresas tinham um marketing superficial e aquilo me incomodava, por isso, comecei a buscar um trabalho mais completo, que tivesse estratégia, mas também tivesse identidade, coerência, não só produção. 

E pra mim entra muito a questão da multidisciplinaridade, quando você se interessa por coisas diferentes e desenvolve repertório, você começa a enxergar o marketing de uma forma mais ampla e isso muda completamente a forma de construir uma marca, com mais intenção e autenticidade.

 

3 – O mercado tem valorizado cada vez mais velocidade e adaptação a tendências. Em que medida o uso constante de “trends” contribui para a estratégia e quando passa a comprometer a identidade de uma marca?

Eu não sou contra trends, acho que pode ajudar muito, principalmente para dar visibilidade.

Mas o problema é quando a marca entra em tudo, quando não tem filtro começa a perder coerência, e aí você vê um perfil que parece que muda de personalidade toda semana.

Pra mim, é importante você estar ligado no que está acontecendo no mundo, mas trend tem que ser um apoio, não a base da estratégia.

 

4 – Diante das transformações recentes no marketing, quais movimentos você acredita que vão definir a construção de marca nos próximos anos?

Eu vejo um movimento muito forte de voltar pro simples. Conteúdos mais diretos, menos roteirizados, menos “perfeitos”. As pessoas estão cansadas de coisa muito produzida. Outro ponto é a inteligência artificial, que vai continuar crescendo muito, mas também vai exigir mais critério, porque quanto mais conteúdo parecido existir, mais valor terá quem consegue ser diferente. O importante é a presença com intenção. Não é só estar nas redes, é saber o que você está construindo ali.

5 – Em um ambiente cada vez mais padronizado, qual é o papel do repertório e das referências culturais na construção de uma comunicação mais estratégica e memorável?

Eu acho que o repertório hoje é o grande diferencial! Todo mundo está consumindo o mesmo conteúdo, seja na rede social ou com a IA, que facilitou muito a criação, mas ao mesmo tempo, começou a deixar tudo parecido.

Você vê conteúdos bem feitos, mas sem identidade, sem você reconhecer de quem é. E é aí que entra o repertório, porque a IA organiza informação, mas não tem vivência, não tem referência própria, não tem olhar. O que traz autenticidade hoje é justamente isso: o que você consome, a sua forma de observar o mundo.

Livros, filmes, arte, viagens, conversas, tudo isso constrói a forma como você pensa, e isso aparece na comunicação. Então, quanto mais o conteúdo fica automatizado, mais o repertório individual vira diferencial.

Sobre Luisa Braga Especialista em posicionamento de marca no digital e fundadora da LB Marketing, agência que vem despontando no interior de São Paulo. Desde 2019, desenvolve estratégias de conteúdo e identidade para marcas pessoais, profissionais liberais e pequenas empresas em todo o país. Com formação em Marketing e Social Media Strategist pela EDIT, em Lisboa, e graduação pela Anhembi Morumbi, iniciou a carreira em grandes grupos do varejo de moda, como Inbrands e GEP. Sua atuação combina repertório estético, estratégia e comportamento, com foco em clareza de comunicação e construção de valor no longo prazo.

 Acredito que não é quem produz mais que se destaca, é quem consegue colocar mais de si no que produz.

Conforme publicado pela Academia Brasileira de Marketing, Luisa Braga, fundadora da LB Marketing e especialista em posicionamento de marca no digital, afirma que num ambiente de conteúdo automatizado o repertório individual é o grande diferencial — porque a IA organiza informação, mas não tem vivência nem olhar.

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