Nesta edição do podcast da Academia Brasileira de Marketing, Cláudia Mattos, sócia-fundadora da Oitto Impacto, conversa com Fabio Madia sobre uma trajetória que atravessa mais de duas décadas de publicidade e comunicação antes de migrar para a construção de estratégias de sustentabilidade corporativa e ESG para grandes empresas no Brasil.
Da comunicação à sustentabilidade
Formada em Publicidade e Comunicação pela UFRJ, com pós-graduações em Economia e Gestão de Sustentabilidade Empresarial (também pela UFRJ) e em Gestão da Sustentabilidade pela Fundação Dom Cabral, Cláudia começou a carreira em agências como B4, Casa da Criação, J. Walter Thompson e DPZ, antes de passar 16 anos na Giovanni FCB — onde entrou como supervisora de conta e saiu como diretora-geral do escritório do Rio de Janeiro.
Paralelamente à carreira publicitária, desde 2000 ela gere o Fé no Futuro, programa de desenvolvimento humano voltado a famílias abaixo da linha da pobreza na Baixada Fluminense, região onde nasceu, em São João de Meriti. Foi esse trânsito entre o mundo corporativo e a realidade de projetos sociais na ponta que a levou, em 2016, a deixar a agência e fundar, ao lado da sócia Aline, a Oitto Impacto — consultoria que atua da estratégia à execução de projetos de sustentabilidade corporativa.
Estratégia, não greenwashing
Um dos pontos centrais da conversa é a diferença entre comunicação institucional legítima e greenwashing. Para Cláudia, a sustentabilidade corporativa só se sustenta quando está alinhada ao plano de negócio, com indicadores e metas claras — nunca como iniciativa isolada de marketing ou filantropia.
“Essa escolha, essa estratégia de sustentabilidade corporativa, ela contribui para o sucesso do negócio”, afirma. Sobre o risco de adiar esse tipo de investimento, ela é direta: “o risco também tá no curto prazo (…) o problema é que você vai perder no curto prazo se você não fizer.”
Diagnóstico social como base de tudo
Cláudia descreve o diagnóstico social como o principal diferencial do trabalho da Oitto Impacto: um mapeamento profundo do território, das partes interessadas e das lideranças locais antes de qualquer recomendação estratégica. A consultoria já conduziu esse tipo de imersão em cidades como Belém e em estados como Piauí e Amazonas, além de um projeto que, em 2017, cobriu dez estados brasileiros.
O símbolo por trás do nome Oitto
Questionada sobre a origem do nome da empresa, Cláudia conta que ele remete ao símbolo do infinito: “a gente pensou no numeral oito deitado com esse símbolo do infinito, porque a gente realmente acredita que a gente chegou num ponto, num contexto, num cenário que não existe outra forma de fazer negócios que não pense nessa retroalimentação.”
Ao completar dez anos de atuação, a Oitto Impacto afirma manter uma taxa de retenção de clientes de 100%.
