Enquanto o mercado farmacêutico reduziu o ritmo de inovações em saúde da mulher nas últimas décadas, concentrando seus investimentos em áreas como oncologia, imunologia e doenças raras, Libbs consolidou esse segmento como um dos mais relevantes para seus negócios. Hoje, a área movimenta cerca de R$ 780 milhões por ano, responde por 18,5% do faturamento bruto da empresa e tratou aproximadamente 3,4 milhões de pacientes em 2025.
A companhia — líder em contracepção e terapia hormonal para a menopausa no Brasil — retomou o ritmo de lançamentos na área após anos com um portfólio maduro. Em 2025, trouxe ao país o Nextela, contraceptivo oral combinado com uma molécula inovadora de estrogênio idêntico ao natural associada à drospirenona. Agora, amplia o portfólio com o Zaila, probiótico voltado à saúde vaginal desenvolvido em parceria com a empresa dinamarquesa Novonesis.
Estratégia: ocupar espaços negligenciados por multinacionais
Anna Guembes, Diretora de Inovação e Desenvolvimento de Negócios da Libbs, contextualiza a decisão de investir em áreas que as multinacionais deixaram de lado: “A base do nosso crescimento e desenvolvimento foram os medicamentos similares. Hoje, esse mercado já está consolidado. A pergunta que nós fazemos é: qual é a próxima grande necessidade a ser atendida?”
Segundo a executiva, saúde feminina e cardiologia são exemplos de mercados que “avançaram muito no passado e depois deram uma parada”, enquanto os grandes investimentos da indústria iam para oncologia e doenças raras. Como parte dessa estratégia de renovação do portfólio, a Libbs prevê um novo lançamento para menopausa ainda em 2026, sujeito à aprovação regulatória.
Em 2025, a companhia investiu R$ 208,5 milhões em pesquisa, desenvolvimento e inovação e mantém um pipeline com mais de 60 projetos. Guembes afirma que há mercados que as grandes companhias globais não priorizam por serem menores ou por não oferecerem o retorno que elas buscam. É nesse espaço que a Libbs diz atuar bem, muitas vezes desenvolvendo soluções para o mercado local.
Nextela: contraceptivo com estrogênio natural inovador
O Nextela, lançado em 2025, representa aposta significativa no segmento de contracepção. Contraceptivo oral combinado que associa molécula inovadora de estrogênio idêntico ao natural com drospirenona, oferece perfil diferenciado no portfólio de contraceptivos disponíveis no mercado.
O produto marca continuidade de comprometimento Libbs com segmento historicamente negligenciado por multinacionais, apesar de sua relevância clínica e comercial.
Zaila: probiótico vaginal com parceria internacional
Zaila chega em momento crucial para segmento. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) passou a permitir o registro de probióticos com indicações além da saúde gastrointestinal. Até pouco tempo atrás, não era possível registrar no Brasil um probiótico voltado à microbiota vaginal, mesmo havendo evidência clínica.
O suplemento combina as cepas Lacticaseibacillus rhamnosus GR-1 e Limosilactobacillus reuteri RC-14, entre as mais estudadas para saúde vaginal. De acordo com Libbs, será a única empresa no mercado nacional a oferecer essa combinação específica, desenvolvida em parceria com Novonesis, empresa dinamarquesa especializada em probióticos.
Desafio regulatório transformado em oportunidade
A área de ginecologia é uma das mais relevantes da Libbs, que conta com portfólio que reúne 19 marcas e 33 apresentações. Zaila chega em momento em que mudança regulatória criou oportunidade antes bloqueada: ausência de opção aprovada para saúde vaginal no Brasil.
De acordo com Guembes, boa parte dos ginecologistas já reconhece importância da flora vaginal, mas faltava opção aprovada para essa indicação específica. Zaila preenche essa lacuna, oferecendo solução respaldada em evidência clínica e aprovada por autoridades regulatórias.
Desenvolvimento de inovação no Brasil: desafios e oportunidades
Apesar do Brasil ser o sétimo maior mercado farmacêutico do mundo, isso representa apenas 1,5% do mercado global, enquanto Estados Unidos respondem quase metade. Por isso, algumas multinacionais não priorizam mercado nacional.
Guembes aponta custo do dinheiro e burocracia dos estudos clínicos como entraves, apesar de reconhecer avanços recentes da Anvisa nos prazos. Para contornar esses desafios, Libbs busca traçar parcerias para viabilizar chegada de soluções aos pacientes brasileiros.
Estratégia permite à companhia compensar limitações do mercado local através de alianças internacionais — como parceria com Novonesis — que trazem tecnologia e expertise para servir público brasileiro muitas vezes negligenciado por multinacionais maiores.
