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Henrique Mendonça, da Flutter Brazil, fala sobre marketing, regulamentação e construção de marca no mercado de apostas

enrique Mendonça, Head de Social Media, Influencer e PR Strategy da Flutter Brasil, em entrevista à Academia Brasileira de Marketing

Em entrevista à Academia Brasileira de Marketing, Henrique Mendonça, Head de Social Media, Influencer & PR Strategy da Flutter Brazil — grupo responsável pelas marcas Betnacional e Betfair —, falou sobre sua trajetória de mais de 20 anos em marketing, os desafios de construir marca num mercado regulado há pouco mais de um ano e as vantagens de operar dentro de uma multinacional com gestão local.

A conversa foi conduzida por Fábio Madia.

 

 

Uma trajetória que nunca repetiu segmento

Henrique Mendonça começou sua carreira em telecom, na Nextel, onde passou quase 12 anos — entrando como office boy e saindo como analista de marketing. De lá, foi para a Citroën, depois para a Accor, em seguida para a Cimed e agora está na Flutter Brazil.

“Eu não repeti um segmento até agora na minha carreira. Acho que essa é uma das coisas que eu mais gosto, porque nisso você sempre tem uma coisa que você aprende num segmento que para um segmento que você vai, às vezes, ninguém nunca pensou naquilo”, afirma Henrique Mendonça.

Para ele, essa diversidade de experiências é um dos pontos de maior orgulho profissional: cada mudança trouxe aprendizados sobre negócios e sobre comunicação que se acumularam ao longo do tempo.

Por que aceitar o desafio da Flutter Brazil

Henrique entrou na Flutter Brazil em abril de 2025, quatro meses após a regulamentação do mercado de apostas no Brasil. A oportunidade veio num momento que ele descreve como muito específico: o de um mercado jovem, ainda se organizando, dentro de uma empresa de escala global.

“Quando você é procurado por uma empresa que está no top 10 das empresas de entretenimento, listada na bolsa, do lado de Disney, ESPN, Netflix, Prime, Amazon — você fala: o tamanho desse negócio. Então, sem dúvida nenhuma, muito sedutor pelo tamanho da empresa, pelo quanto é sério, o quanto a empresa é sólida, globalmente falando”, diz Mendonça.

Além do porte, ele destaca a flexibilidade operacional como diferencial: “A empresa dá flexibilidade, dá os recursos que a gente precisa para realizar o nosso trabalho. Eu não tenho uma vírgula para falar da Flutter. É um presente.”

Compliance como pilar inegociável

Um dos temas centrais da conversa foi a rigidez da empresa em relação ao compliance. Henrique explicou que demorou meses para participar da entrevista justamente por conta do processo interno de definição do papel de porta-vozes.

“Tanto que eu não vim por vários meses, porque a gente estava definindo o papel de porta-vozes — o que cada um fala, como fala, por que fala. Porque de fato, eu estou representando uma empresa gigantesca do mundo”, afirma.

Ele usou uma metáfora direta para descrever a postura da empresa diante dos limites da categoria: “Se o borderline da categoria está aqui, a gente está quilômetros de distância. A gente se mantém muito longe desse borderline, justamente porque a pena máxima de você passar esse borderline é você perder a licença de operar.”

O melhor dos dois mundos: multinacional com agilidade local

Henrique destacou como a estrutura da Flutter Brasil combina o conhecimento global do grupo com autonomia local para tomada de decisão — algo que ele considera raro em empresas multinacionais.

“A gente tem o melhor dos dois mundos. A gente tem várias coisas incríveis de você estar numa empresa que já está presente em diversos mercados por muito tempo, que já passaram por esse momento de regulamentação, com a agilidade e facilidade de ter a gestão praticamente toda local.”

Essa estrutura, segundo ele, permite que a equipe brasileira seja muito mais reativa ao mercado: “A gente consegue tomar toda essa decisão aqui, em questão de posicionamento, de como a gente se fala, como se relaciona com a audiência.”

Ele compara com o modelo tradicional de multinacionais: “Outras empresas que são multinacionais: multinacionalizou, travou tudo, agora vai ter que aprovar, monto o marketing plan que demora 6 meses, aí muda, você tá em dezembro ainda, nem começou o ano. A gente não precisou passar por todo esse processo.”

O desafio de construir marca num mercado jovem

Para Mendonça, o maior desafio do setor ainda é a diferenciação. Ele traçou um paralelo direto com o mercado de cervejas dos anos 2000:

“Me lembra muito cerveja dos anos 2000, onde era o filtro da cor, da marca que mudava — se era uma Itaipava, se era uma Skol — mas era tudo muito parecido: era o bar, praia, mulher, bebendo, amigos, brinde e muito futebol.”

Apesar de reconhecer avanços, ele é cauteloso sobre o momento atual do mercado: “Acho que a gente ainda tem um longo caminho. Chutaria aqui, get feeling total do Henrique: mais uns 5 anos pra gente conseguir ter um pouco mais de ‘ah, entendi isso, entendi aquilo’.”

Em 2026, ano de Copa do Mundo, ele prevê que o futebol vai continuar pautando a comunicação de grande parte das marcas do setor — e que a diferenciação ainda levará tempo para se consolidar de forma consistente.

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