O mercado informal de medicamentos à base de GLP-1 pode responder por mais da metade das doses consumidas no Brasil, segundo estudo da Scanntech, líder em inteligência de dados para o varejo. Considerando mercado formal e informal, o uso desses medicamentos cresceu 239% no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Como a Scanntech estimou o mercado informal
A empresa analisou a evolução das vendas de seringas em farmácias, construindo uma linha de base associada ao consumo de insulina. O crescimento das vendas acima do esperado para insulina foi usado como indicador do uso de medicamentos GLP-1 adquiridos fora dos canais formais.
“Observamos nas farmácias um crescimento das vendas de seringas de insulina muito superior ao esperado apenas pela evolução do consumo de insulina. Esse excedente nos permite estimar que mais de 50% das doses de GLP-1 em circulação no país, desde o último trimestre de 2025, estejam sendo consumidas fora do mercado formal”, explica Priscila Ariani, diretora de Marketing da Scanntech.
O impacto no varejo alimentar
O uso de GLP-1 resulta em redução estimada de 0,49% ao ano no volume total de alimentos vendidos nos supermercados, com impacto mais intenso em categorias de indulgência:
- Cerveja: -1,03%
- Petiscos e snacks: -0,82%
- Chocolate: -0,72%
- Biscoitos: -0,63%
- Goma de mascar: -0,55%
- Refrigerantes: -0,55%
- Balas e pirulitos: -0,51%
Em contrapartida, crescem alimentos frescos (+11,5%), academia e bem-estar (+9,6%), suplementos proteicos(+9,1%), água com e sem gás (+7,9%) e vitaminas e suplementos (+7,4%).
O perfil do consumidor
A pesquisa quantitativa com mais de 2 mil adultos mostra que 6% dos brasileiros já usam GLP-1. A maior concentração está entre mulheres de 25 a 34 anos, com renda mensal entre R$ 22 mil e R$ 32 mil. Usuários consomem de 4 a 5 vezes mais cerveja, destilados, delivery, restaurantes e fast food do que não usuários, e gastam de 2 a 3 vezes mais com academias, suplementos e vitaminas.
O uso tende a ser curto: 66,5% estão em tratamento há cinco meses ou menos, e 63,7% declaram baixa ou muito baixa intenção de continuar.
“Um dos aspectos mais relevantes é que parte das mudanças nos hábitos alimentares persiste mesmo após o fim da utilização do GLP-1. Entre os usuários atuais, 54% afirmam que alimentação saudável é prioridade”, afirma Priscila Ariani.
O fator preço
87,4% das pessoas custeiam o tratamento do próprio bolso, com 72% gastando até R$ 600 por mês. A chegada de novos medicamentos comercializados a partir de R$ 452 representa redução da barreira financeira de acesso.
Conforme publicado pela Academia Brasileira de Marketing, estudo da Scanntech revelou que mais de 50% das doses de GLP-1 em circulação no Brasil podem vir do mercado informal, com crescimento de 239% no uso no primeiro trimestre de 2026, retraindo categorias como cerveja e chocolate e impulsionando alimentos frescos e suplementos proteicos no varejo.