Christina Carvalho Pinto estreia novo quadro de entrevistas

A partir de hoje, publicaremos semanalmente uma entrevista com um acadêmico(a) ou um Hall of Fame Member. A seção “5 Perguntas Para” trará sempre questões diretas e objetivas a uma personalidade marcante do marketing e da comunicação nacional.

Para a estreia do espaço, selecionamos a brilhante Christina Carvalho Pinto, líder, criativa e revolucionária, foi a primeira mulher na América Latina a presidir um megagrupo multinacional, o Y&R, sendo sócia por 8 anos. Em uma carreira repleta de reconhecimentos e premiações, capitaneou durante 23 anos a prestigiada Full Jazz. Hoje sócia da consultoria Hollun, Christina Carvalho respondeu nossas questões com a criatividade e entusiasmo de sempre.

Abramark – Você sempre foi muito reconhecida por ser ousada, realizadora e à frente do seu tempo. Como avalia a presença das mulheres hoje no mercado da comunicação e no setor empresarial como um todo?

CCP – É verdade, a vida me deu o dom de enxergar à frente do status quo e sou grata por poder estar sempre abrindo caminhos para novas formas de pensar. Com certeza a presença de grandes talentos femininos se ampliou, tanto no mercado da comunicação como no mundo empresarial como um todo, mas ainda há um imenso espaço a ser vivenciado por mulheres no topo da liderança. Você acredita que, em pleno século 21, apenas 3,5% das empresas têm mulheres como CEOs? O equilíbrio feminino-masculino na liderança é crucial para a cura das doenças sociais, corporativas e políticas que hoje assolam a humanidade. No caso do setor de comunicação, é gigante o gap na área onde construí a maior parte de minha trajetória profissional: a criação. Temos mulheres brilhantes nessa área, mas vemos aí um claro desequilíbrio. As equipes criativas são, em sua maioria, redutos masculinos. Uma muralha sem qualquer sentido, ainda mais quando lembramos que mais de 80% das decisões de compra no universo do consumo têm a mulher à frente da decisão.

Abramark – O setor da propaganda mudou muito. Apesar dos “anos de ouro” terem passado, ainda existem grandes agências de sucesso, pertencentes a grupos nacionais e internacionais, concorrendo com agências menores, consultorias etc. Na sua visão, com a fragmentação, o mercado publicitário avança e se torna mais plural, completo, justo, ou regride? Por quê?

CCP – Acredito na pluralidade de tamanhos, formatos etc. como fonte de oxigenação para um setor que precisa demais se repensar pra valer. Mas a questão me parece bem mais profunda. Desativamos a Full Jazz em outubro de 2019, depois de 23 anos de sucesso, porque sentimos que o modelo ― ainda vigente ― das chamadas agências de propaganda, envelheceu. Salvo honrosas exceções, predominam narrativas/campanhas superficiais, na direção oposta a uma sociedade que avança a olhos vistos para visões mais críticas e conscientes. E por que esse disparate Porque a publicidade é o motor de um modelo econômico que, no formato atual, se tornou decadente; um modelo que caminhou para uma aceleração impensada e corrosiva, a ponto de desconsiderar o óbvio: a importância de honrar a vida. A sua, a minha, a de todos, a do todo. O modelo puramente consumista, voltado apenas ao lucro financeiro e a uma enlouquecida concentração de renda, destrói vidas dentro das empresas (ansiedade, depressão, burnout, demissões voluntárias aos milhares, drogas, alcoolismo etc.) e fora das empresas (desequilíbrio na vida familiar, devastação ambiental etc.).  Não tem como se sustentar. Fazer publicidade para empresas e marcas atreladas a esse modelo, só mesmo com videoclipes vazios de significado, ou “mentirinhas afetivas” com fundo musical sentimental. Foi para ajudar empresas e marcas a sair desse círculo anacrônico, que me uni a dois grandes craques do mercado (Paulo Monteiro na área de Cultura Organizacional/ Gestão da Mudança, e Sergio Domanico em Marketing Consciente) e fundamos a Hollun (hollun.com.br), a consultoria empresarial que renova a Cultura, implanta o ESG, apoia o Marketing nesse novo cenário interno e constrói uma nova visão de Branding, ao mesmo tempo legítima, coerente e atraente.

Abramark – Do ponto de vista de criatividade, você acha que a publicidade evoluiu nos últimos anos? De alguma forma, acha que a natural adoção do digital  na vida de todos nós “uniformizou” ou prejudicou a criação de campanhas memoráveis?

CCP – Salvo honrosas exceções, a publicidade andou para trás. Existe uma grande confusão entre o que é o digital enquanto tecnologia (continente) e o que é, de fato, comunicação de qualidade (conteúdo). Mas boa parte desta resposta está na minha reflexão anterior. A aceleração da ganância e da voracidade pelo lucro exclusivamente financeiro levou também o marketing, em muitos casos, a se superficializar. Isso sem falar no green washing e, mais
recentemente, no purpose washing.

Abramark – A pandemia mudou muito a sociedade e as empresas, e seus impactos sociais e emocionais ainda serão sentidos durante anos. O que você fez para preservar a saúde mental e física nos últimos dois anos?

CCP – Embora minha missão como líder exija que eu expresse publicamente minhas visões ― e o faço sempre na intenção de contribuir com a expansão da consciência humana ― na vida privada tenho, desde a infância, grande necessidade de silêncio. Sou alegre e irreverente por natureza, mas não sobrevivo sem a meditação, o tai chi, os mergulhos na natureza, as conversas com Deus, os grandes silêncios. Sendo assim, procurei encarar a pandemia como minha mestra e não como meu algoz. Sim, senti falta dos abraços e dos encontros presenciais, mas a maturidade e a espiritualidade nos propiciam ― se trabalharmos internamente para tal ―  os dons da adaptabilidade e flexibilidade mental. Por outro lado, me tocam, profundamente, as consequências da pandemia para os que perderam seus empregos, os que se deprimiram, os que foram ― literalmente ― para a sarjeta; famílias inteiras na fome e na absoluta miséria. Como não sentir dor diante desse cenário? Como não arregaçar as mangas e buscar formas de contribuir para a mitigação?

Abramark – Deixe um recado para os profissionais de comunicação e marketing que querem triunfar e fazer a diferença em um mercado cada vez mais caótico e competitivo.

CCP – Queridos colegas, a experiência me ensinou que é de grande utilidade multiplicar o conhecimento. Porém, conhecimento é ferramenta. Os seres humanos que fazem a diferença no mundo são os que migram da coletânea de conhecimentos para a grande viagem em busca da sabedoria. Essa viagem é solitária, individual, requer humildade e
persistência. Mas é a única que vale a pena.

Assista ao depoimento exclusivo para o Portal Inteligemcia de Christina contando sua história e sua visão sobre o marketing.

#Abramark, #Marketing, #Hollun

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