Coluna Vendas na Internet, por Roberto Calderon
O e-commerce brasileiro recebia 41% do tráfego da busca orgânica em 2024. Em 2026 recebe 28%.
O número é da Leadster. E ele explica uma conversa que eu tenho tido toda semana com dono de loja virtual: a venda caiu e ninguém mexeu em nada.
Ninguém mexeu. A porta é que mudou de lugar.
O que aconteceu com a busca
Entre 58% e 68% das buscas terminam sem clique. A pessoa pergunta, o Google responde na própria página, e pronto. A resposta com inteligência artificial já aparece em quase metade dos resultados.
A Gartner projeta 25% menos volume de busca tradicional. A McKinsey fala em perda de 20% a 50% de tráfego pra quem não se preparar.
Isso não é previsão. Está no relatório de tráfego de qualquer e-commerce, basta comparar com dois anos atrás.
A porta nova
O cliente não parou de procurar. Ele procura em outro lugar e chega de outro jeito.
Pergunta pra inteligência artificial qual produto comprar. Pede indicação num grupo. Vê o anúncio, não clica, e dias depois digita o nome da marca direto. Manda mensagem no WhatsApp antes de abrir a loja.
No relatório, tudo isso aparece como tráfego direto. E tráfego direto é o nome que a gente dá pro que não soube medir.
O que o marketing faz com isso
Três coisas, nesta ordem.
- Medir de onde o cliente vem de verdade, inclusive a conversa do WhatsApp, que hoje já é venda e quase ninguém conta.
- Deixar a página do produto responder a pergunta inteira: preço, prazo, frete, tamanho, garantia. É isso que a inteligência artificial lê quando alguém pergunta por você.
- Cuidar de quem já comprou. Com a porta da busca mais estreita, o cliente que volta sozinho é a venda mais barata da loja.
Pela BCX Capital and Holding é por aí que a gente começa quando entra numa empresa: primeiro enxergar por onde o cliente chega, depois investir mais em mídia.
Se o seu e-commerce vende menos e o relatório não explica, vale abrir o tráfego de 2024 ao lado do de 2026. A resposta costuma estar na coluna da busca.
Roberto Clapes Calderon, conhecido no mercado como Roberto Calderon, é investidor e estrategista da BCX Capital and Holding e fundador do ecommerce.CAMP. Mais sobre a trajetória dele em robertocalderon.com.br/trajetoria e no LinkedIn.

