Home office atrai 185% mais candidatos em marketing, diz estudo da trampos

Home office atrai 185% mais candidatos em marketing, diz estudo da trampos

Levantamento mapeia as três características que tornam uma vaga do setor mais atraente hoje: modelo de trabalho, transparência salarial e simplicidade do processo de candidatura. O mais forte dos três vai na contramão do movimento de volta ao escritório

Resumo rápido

  • Vaga com home office recebe em média 185% mais candidaturas do que uma vaga presencial equivalente, na mesma área e senioridade.
  • Abrir a faixa salarial eleva de 37,4% para 64,1% a proporção de candidatos com pretensão dentro do orçamento.
  • Formulário sem pergunta de triagem converte 22% de quem vê a vaga; com cinco perguntas ou mais, a conversão cai para 11,7%.
  • O estudo analisou mais de 8 mil vagas publicadas na plataforma em 24 meses, com mais de 1 milhão de candidaturas.

No mercado de marketing e comunicação, o fator que mais pesa na atração de candidatos não é o salário: é onde a pessoa vai trabalhar. Uma vaga com home office recebe em média 185% mais candidaturas do que uma vaga presencial equivalente, na mesma área e senioridade.

O dado faz parte de levantamento da trampos, que se apresenta como o maior banco de talentos de marketing e comunicação do Brasil. O estudo analisou mais de 8 mil vagas publicadas na plataforma nos últimos 24 meses, com mais de 1 milhão de candidaturas e quase 5,7 milhões de visualizações.

Fator Efeito medido
Home office em vez de presencial 185% mais candidaturas, em média
Faixa salarial aberta pretensão dentro do orçamento sobe de 37,4% para 64,1%
Formulário sem pergunta de triagem conversão sobe de 11,7% para 22%

“O modelo de trabalho virou a variável mais forte de atração que existe hoje. Não é o salário, não é o tamanho da descrição da vaga: é onde a pessoa vai trabalhar. Nenhum outro fator testado chega perto desse efeito”, diz Tiago Yonamine, da trampos.

O dado vai na contramão da volta ao escritório

O achado contrasta com o movimento de retorno ao presencial que ganhou força no mercado brasileiro em 2026. Segundo a trampos, levantamento da Robert Half divulgado em julho aponta que o trabalho totalmente remoto responde por apenas 3% das vagas oferecidas pelos clientes da consultoria.

A leitura da plataforma é que a empresa que oferece flexibilidade sai na frente na atração sem gastar mais, em vez de tentar compensar a ausência dela com salário.

Vale um contraponto que o próprio mercado oferece. Pesquisas que medem preferência declarada, como as da Robert Half em 2026, mostram aumento de remuneração à frente de dias de home office na lista de prioridades dos profissionais. O estudo da trampos mede outra coisa: comportamento efetivo de candidatura. Uma pessoa pode dizer que prefere salário e, na prática, clicar na vaga remota.

Esconder o salário não filtra candidato ruim, só adia o trabalho do recrutador

O segundo fator é sobre o que a vaga esconde, e a conta cai na mesa de quem recruta semanas depois.

Com a faixa salarial oculta, 39,5% dos candidatos pedem salário acima do teto que a empresa está disposta a pagar, candidaturas que alguém vai filtrar manualmente. Abrir a faixa derruba esse número para 18,4%, ou seja, mais da metade dessa filtragem desaparece antes de a vaga sair do ar.

A proporção de candidatos com pretensão dentro do orçamento quase dobra, de 37,4% para 64,1%. Com a faixa aberta, o patamar é praticamente o mesmo em todas as senioridades: 64,1% no júnior, 64% no pleno e 64,4% no sênior. Sem a faixa, os números variam mais, de 43,9% no júnior a 35,7% no pleno e 35,3% no sênior.

A vaga com faixa aberta recebe em média 13% menos candidaturas brutas, mas troca volume por precisão.

“Abrir a faixa não é sobre transparência como discurso, é sobre eficiência de funil. A empresa recebe menos candidaturas, mas recebe a candidatura certa. No fim das contas, quem faz a triagem direito na hora de publicar a vaga não precisa fazer a triagem manual depois”, afirma Yonamine.

Cada pergunta a mais no formulário cobra um pedágio

O terceiro efeito está na complexidade do processo. A conversão de quem vê a vaga e se candidata cai de 22%, quando não há nenhuma pergunta de triagem, para 11,7%, quando são cinco ou mais. A queda é contínua ao longo da escala, não um degrau único. Vaga sem nenhuma pergunta recebe em média 20% mais candidaturas brutas do que uma com três perguntas ou mais.

“A empresa monta o formulário pensando em facilitar a própria triagem, mas cada campo a mais é decisão de quem está do outro lado: candidatura tem custo de esforço, e boa parte desiste antes de terminar”, diz o executivo.

O que os três dados dizem juntos

Os achados apontam na mesma direção: atrair candidato qualificado no setor depende menos de quanto a empresa paga e mais de como ela desenha a vaga. E cada escolha errada nesses três pontos não desaparece, só vira trabalho manual para o recrutador mais adiante.

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