Marta Nike Jogos Olímpicos

Marta e a luta pela igualdade no futebol feminino nas Olimpíadas

Marta está sem contrato com fornecedoras de material esportivo desde julho de 2018

Sinônimo de talento no futebol, a jogadora Marta luta pela igualdade no esporte há mais de 20 anos. Em 2019, ao se tornar a maior artilheira da história das Copas do Mundo, a brasileira surpreendeu a todos ao mostrar sua chuteira que pedia igualdade de gênero, isto porque, ela recusou todas as propostas das marcas esportivas por considerar que os valores não estava de acordo e ainda aproveitou para lançar sua própria “marca” de chuteiras, utilizadas até hoje.

A luta de Marta também foi comentada nos Jogos Olímpicos com a seleção brasileira feminina. A novamente fez um gesto silencioso e ao mesmo tempo grandioso, quando decidiu tampar o símbolo da Nike sutilmente com seu cabelo quando pousou para as fotos oficiais do torneio. A atitude gerou comentários nas redes sociais e chamou a atenção para um apelo às grandes patrocinadoras esportivas.

Marta considera que os valores oferecidos para as atletas do futebol feminino estão muito abaixo em comparação com atletas do futebol masculino. Em entrevistas anteriores, a craque deixou enfatizado que a luta não se trata apenas de dinheiro, mas sim pela igualdade de gênero.

Ao “cobrir” o símbolo da fornecedora dos materiais esportivos da seleção brasileira nas fotos, a jogadora passa o recado que não concorda com a desigualdade entre atletas do futebol masculino e feminino, além da desigualdade dos contratos de patrocínio e de contratos de trabalho.

Marta nos Jogos Olímpicos

Durante os Jogos Olímpicos de Tóquio, Marta manteve a mensagem de igualdade no esporte que vai além de dinheiro. “Estou usando a mesma chuteira. Com o mesmo símbolo, o ”Go equal”. E continua sendo uma opção minha. Não é só pelo dinheiro em si. É toda uma história. Mas muitas vezes, os contratantes da patrocinadora não enxergam por esse lado. É um conjunto de coisas para a minha decisão. E posso ver que, por outro lado, isso ajudou outras atletas.” disse Marta, ao GE, no início das Olimpíadas.

Essa discussão já movimentou muitos internautas e atletas, já que as pessoas tendem a rebater de imediato dizendo que o futebol feminino não gera o mesmo lucro que o masculino e, por isso, não seria viável igualar os pagamentos de patrocínio entre jogadores e jogadoras.

Mas, ao contrário dessa justificativa, Marta não quer ganhar como Neymar ou Messi. Como a jogadora eleita pela Fifa seis vezes a melhor do mundo, como a maior artilheira da história das Copas (entre homens e mulheres), como a maior artilheira da história da seleção brasileira, a craque brasileira luta para que todas as jogadoras relevantes recebam um valor justo de marcas patrocinadoras.

Eleita seis vezes a melhor do mundo, a brasileira não conseguiu trazer o ouro olímpico para o Brasil, após a eliminação da seleção brasileira feminina nas quartas de final, com derrota por 4 a 3 nos pênaltis para o Canadá, mas além da sua participação – que pode ser a última nas Olimpíadas -, a mensagem deixada por Marta ultrapassa os campos.

Futuro do futebol feminino brasileiro

Ao longo de sua carreira, Marta se liderou a seleção e cobrou mais investimentos e estrutura, dessa vez a craque preferiu olhar para o futuro com otimismo e confiança na continuidade do futebol feminino. “Agora é pensar no futuro. Continuar apoiando as meninas, apoiando a modalidade porque o futebol feminino não acaba aqui. O futebol feminino continua. Espero que as pessoas tenham essa consciência e que não saiam apontando o dedo para ninguém porque aqui não tem ninguém culpado ou deixou de fazer. Fizemos o que estava ao nosso alcance. O que faltou foi a bola entrar e eu estou muito orgulhosa da equipe, orgulhosa de tudo o que a gente viveu. Obviamente fica aquele gostinho de que poderia mais”, disse ela, em entrevista ao GE.

Existe espaço para todos? A resposta é sim. Mas, para garantir um futuro de igualdade no esporte, as marcas precisam ir além do que se vê e começar a encarar cada atleta de maneira individual, sem comparativos. Para Francisco J. S. M. Alvarez, responsável pela implementação do Trade Marketing no Brasil, práticas como essas são fundamentais para promover novos desafios que resultarão melhorias desde a visibilidade do esporte nas grandes mídias, até chegarem, de fato, no varejo. “A área de varejo talvez seja a mais dinâmica, principalmente após o novo ambiente de mercado causado pela tecnologia, algo que traz um mundo para ser desenvolvido”.

Inegavelmente, Marta é o elo entre uma geração com nomes como Pretinha, Roseli, Sissi, Katia Cilene e Daniela Alves, e outras que começam a aparecer através de investimentos, apoio da iniciativa privada, publicidade, resiliência das jogadoras e cobrança dos incentivadores do futebol feminino ao longo dos anos.

“Minha geração pavimentou o caminho de certa forma. A seleção hoje tem meninas com quem eu joguei e meninas que treinei. É muito importante ter competições de base, ter a seleção na base, porque quanto mais bagagem elas tiverem, melhor elas vão competir quando adultas. Saber competir, saber ganhar e saber perder é muito importante para o futuro dessas atletas, e até pouco tempo não existia”, diz a ex-jogadora.

Dois recado de Marta durante sua passagem nos Jogos Olímpicos de Tóquio parecem fazer cada vez mais sentido: “Chore no começo para sorrir no fim” e “não vai ter uma Marta para sempre”.

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