O serviço usa a constelação da Starlink Mobile como extensão da rede celular e libera mensagens, mapas e chamadas por aplicativo onde não há sinal. A própria operadora diz que a conexão não substitui a qualidade do 5G
Resumo rápido
- A Vivo lançou o Vivo Satélite, em parceria com a Starlink Mobile, da SpaceX.
- O serviço funciona em qualquer ponto com visibilidade do céu, em áreas sem cobertura terrestre.
- Já está disponível para 50 milhões de assinantes elegíveis, entre pós-pago, controle, lite e pré-pago com recarga acima de R$ 30.
- É gratuito por 12 meses para pessoa física e três meses para empresas, exceto terminais M2M. Não há preço divulgado para depois disso.
- A conexão permite mensagens, áudios, mapas e o app da operadora, com latência maior e velocidade menor que a da rede terrestre.
A Vivo lançou o Vivo Satélite, serviço que usa a constelação da Starlink Mobile, da SpaceX, como extensão da rede celular terrestre. Aparelhos compatíveis passam a se conectar automaticamente aos satélites quando estiverem fora da cobertura móvel, em qualquer local com visibilidade do céu.
O serviço está disponível para 50 milhões de assinantes elegíveis, entre clientes finais e corporativos, incluindo planos pós-pago, controle e lite, além de pré-pago com recargas acima de R$ 30. O acesso é gratuito por 12 meses para pessoa física e três meses para empresas, com exceção dos terminais M2M, que terão pacotes próprios.
A companhia não divulgou quanto o serviço vai custar depois do período promocional.
O que funciona e o que não funciona
Na largada, a conexão atende aplicativos selecionados para envio e recebimento de mensagens e áudios, com WhatsApp, RCS, SMS, iMessage e Google Mensagens, mais mapas, com Google Maps e Apple Maps, e o aplicativo da operadora.
A limitação é de desempenho, e quem a descreve é o próprio executivo que anuncia o serviço. Em declarações à imprensa no lançamento, Alex Salgado, que comanda as operações da Vivo, afirmou que a comunicação direta entre satélite e aparelho não substitui a qualidade do 5G, porque a distância até os satélites aumenta a latência e reduz a velocidade de navegação.
Conexão de alta velocidade depende da próxima geração de satélites da SpaceX, sem data informada.
“Com o Vivo Satélite, os clientes da Vivo passam a ter sinal onde quer que estejam: em rodovias, áreas rurais, remotas ou regiões de difícil acesso ainda não atendidas por infraestrutura terrestre”, diz Salgado.
A lista de aparelhos compatíveis está no site da operadora, e as regras de uso e elegibilidade, no aplicativo.
Como o modelo se sustenta no regulatório
O desenho da parceria responde ao que a Anatel definiu em julho deste ano, quando a agência aprovou as regras que reservam faixas para comunicação entre satélites e celulares comuns e estabeleceu que o operador satelital precisa de acordo com prestadora móvel já licenciada no país. É nesse arranjo que a rede da operadora e a constelação se combinam.
Em 9 de outubro, o conselho diretor da Anatel concedeu à Starlink 15 mais 15 megahertz na banda S, por quatro votos a um. A agência registrou que aquela autorização, isoladamente, não permite a operação comercial de conexão direta entre satélite e celular, e a Starlink prevê lançar satélites capazes de usar a faixa em 2027.
A Vivo e a Starlink também participam de ambiente experimental autorizado pela Anatel, com permissão estendida em setembro até abril de 2029.
Parceria sem exclusividade
Segundo a cobertura do anúncio, o acordo não tem prazo de término definido nem cláusula de exclusividade, de modo que as duas companhias podem firmar outros contratos de comunicação direta entre satélite e dispositivo.
“Oferecer conectividade resiliente ao maior número possível de pessoas está no centro de tudo o que fazemos. Estamos muito entusiasmados com a parceria com a Vivo e, juntos, estamos viabilizando o acesso a aplicativos e serviços de mensagens selecionados para milhões de pessoas em todo o Brasil”, afirma Stephanie Bednarek, vice-presidente de vendas da SpaceX.
A Vivo informa que sua rede terrestre cobre 98% da população brasileira.

