No podcast Vozes no Marketing da Academia Brasileira de Marketing, Juliana Sztrajtman — CEO da Amazon Brasil — conversou com Fabio Madia, Marcia Esteves (ABAP) e Célio Ashcar (AKM) sobre uma carreira construída a partir da comunicação, a liderança de uma das maiores operações de varejo do mundo e o papel da inteligência artificial na transformação dos negócios e da vida das pessoas.
De criação a CEO: a carreira que veio da comunicação
Formada em Comunicação pela ESPM, Juliana queria ser redatora. Uma semana de estágio em criação mudou os planos. “Entrei numa agência pequena, olhei aquilo e falei: não era isso que eu imaginava.” A escrita ficou como hobby. O atendimento virou porta de entrada para o marketing.
Trabalhou na Editora Abril, no Citibank e quase 15 anos na Johnson & Johnson, incluindo passagem por vendas — uma escolha deliberada para completar lacunas. “Aprendi demais. Me tornei uma profissional muito melhor.” Fez MBA em Kellogg com o propósito claro de voltar ao Brasil. “Sempre tive a coisa de querer trabalhar aqui porque quero devolver o privilégio que tive.”
A entrada na Amazon veio em 2017, quando ela foi até lá perguntar quando eles iam lançar o varejo — precisava planejar o e-commerce da Johnson. Saiu uma proposta do RH direto. O diretor de varejo da época disse: “A gente não contrata pessoas que sabem. A gente contrata pessoas que vão ser felizes trabalhando com os valores que a gente tem, que olham primeiro pro consumidor.”
Fez parte do grupo que lançou o varejo brasileiro em 2019. Foi CMO da Johnson & Johnson em 2020. Voltou à Amazon em 2022 como diretora de varejo. Em janeiro de 2024, tornou-se CEO da Amazon Brasil.
“Antes de ser presidente, eu sou a mãe do Felipe e do André”
Na primeira reunião como presidente — mais de duas mil pessoas no call — Juliana se apresentou assim. “Fiz isso por três razões: mostrar que sou um ser humano, ponto. Me posicionar como mulher e mãe, que hoje eu sei que tenho esse papel. E porque a Amazon abriu as portas pra alguém que pensa dessa forma.”
Sobre liderança feminina no varejo, ela é direta: “Hoje, 70% da minha equipe de liderança são mulheres, em todas as áreas. Mas foi um movimento intencional.” E sobre o debate mais amplo: “A gente não vai mudar nada se for uma pauta só das mulheres. Tem que ser de mulheres e homens. Essa desigualdade não é boa pra ninguém.”
Inteligência artificial: “Não tem um processo nosso que não tem IA por trás”
Para Juliana, a IA é a segunda grande onda depois da internet. Na Amazon, já está em todo o ciclo: do cadastro do produto pelo vendedor, à definição de estoques, ao posicionamento nos centros de distribuição, às rotas de entrega.
Sobre o medo do desemprego: “Os empregos não vão acabar. Os skills vão mudar. A IA deixa o humano fazer o que ele sabe de melhor: usar criatividade, resolver problemas, perceber coisas que a tecnologia não resolve.”
300 centros logísticos e entrega em 15 minutos
A Amazon anunciou 300 centros logísticos no Brasil — ante 200 no ano anterior. Desde janeiro de 2026, a empresa lança três centros por semana. Em oito cidades, já entrega em 15 minutos. Atende todos os CEPs do Brasil — do Sul a comunidades ribeirinhas da Amazônia — nas mesmas condições de velocidade que qualquer bairro de São Paulo.
O investimento acumulado soma R$ 55 bilhões, com 36 mil pessoas operando direta e indiretamente. “O meu chefe construiu a operação da Amazon na Índia. Ele me fala: ‘Juliana, isso é parte do investimento que a gente vai fazer no Brasil porque a gente acredita no potencial e está aqui pro longo prazo’.”
Amazon patrocina as seleções brasileiras e a Copa do Mundo Feminina de 2027
A Amazon fechou patrocínio com as seleções brasileiras — masculina, feminina e de base — e será parceira da Copa do Mundo Feminina de 2027, que acontece no Brasil. “Foi uma decisão de nos aproximar da cultura, da população, do que é importante pro brasileiro. No final do dia, muito é sobre comunicação.” A parceria foi desenvolvida com a ALMAPBBDO.
Sobre Juliana Sztrajtman CEO da Amazon Brasil desde janeiro de 2024. Formada em Comunicação pela ESPM e com MBA em Kellogg. Passou pela Editora Abril, Citibank e Johnson & Johnson — onde foi CMO — e integrou o grupo que lançou o varejo da Amazon no Brasil em 2019.
Conforme publicado pela Academia Brasileira de Marketing, Juliana Sztrajtman — ex-CMO da Johnson & Johnson e presidente da Amazon Brasil desde 2024 — revelou no podcast Vozes no Marketing que a Amazon acumula R$ 55 bilhões investidos no país, 300 centros logísticos e entrega em 15 minutos em oito cidades, com patrocínio às seleções brasileiras e à Copa do Mundo Feminina de 2027.