Como uma fintech que vive dentro do celular pode criar uma conexão física e afetiva com seu público? A Brasper Transferências encontrou uma resposta nas Fiestas Patrias, celebração da independência peruana realizada em São Paulo. Ao lado do Consulado Geral do Peru, a empresa transformou um brinde personalizado pensado especialmente para a ocasião em ponto de contato com a comunidade, em uma ação desenvolvida em parceria com a Luminati Brindes, importadora direta e especialista em soluções promocionais que atua no Brasil desde 1984.
A escolha revela um movimento interessante: em um mercado cada vez mais digital, marcas estão redescobrindo o valor de objetos físicos para construir familiaridade, presença e confiança.
Alguém que trabalha em São Paulo abre um aplicativo, digita um valor e envia parte do salário do mês para o Peru. Repete o gesto trinta dias depois. E novamente no mês seguinte. A decisão sobre por qual empresa esse dinheiro passa raramente se resolve apenas pela comparação de tarifas numa planilha. Passa também por quem indicou, quem já usou e qual nome se tornou familiar dentro de casa.
É esse o terreno em que a Brasper Transferências, fintech especializada no corredor Peru-Brasil, decidiu atuar em julho. E fez isso de um jeito que contraria a expectativa sobre uma empresa nativa digital: com um objeto físico, presença em pessoa e participação em um evento oficial.
Os peruanos residentes no exterior enviaram US$ 5,368 bilhões em remessas ao Peru em 2025, alta de 11,7% sobre o ano anterior e o equivalente a 1,6% do PIB do país, segundo o Banco Central de Reserva do Peru (BCRP) [1]. O volume atrai concorrência. Bancos, casas de câmbio tradicionais e fintechs disputam o mesmo remetente com propostas semelhantes de câmbio competitivo, conveniência e velocidade. Nesse ambiente, confiança e familiaridade passam a ter peso relevante na escolha.
O que se disputa numa festa nacional
As Fiestas Patrias marcam a independência do Peru, em 28 de julho. Fora do país, a data funciona como ponto de encontro da comunidade: associações, famílias, autoridades consulares, comida, música e bandeiras. A Brasper esteve na celebração realizada ao lado do Consulado Geral do Peru em São Paulo.
A festa não vende inventário de mídia. Ninguém ali está clicando em anúncio.
Para a marca, havia um desafio: como estar presente em uma data de orgulho coletivo sem transformar a celebração em uma simples ação promocional? A diferença entre participar e apenas distribuir publicidade estava, em boa parte, no que a Brasper colocaria nas mãos das pessoas.
“Brinde é planejamento antes de ser produto. Quando a empresa entende o público que vai receber, ela escolhe um item que valoriza a marca e valoriza quem recebe. Esse cuidado a pessoa percebe na mão”, diz Renato Schaimberg, diretor da Luminati Brindes, importadora direta de brindes corporativos e promocionais que atua no Brasil desde 1984.
A aposta no analógico
A tese que sustenta a escolha não é nova no mercado promocional, mas ganha outro peso quando quem a aplica é uma empresa que existe essencialmente dentro de um celular.
“Vivemos a revanche do analógico”, afirma Schaimberg. “O objeto físico tem uma taxa de abertura de quase 100%. Ninguém ignora algo que chega à sua mesa. Ele fura a bolha da indiferença digital e inicia uma conversa de uma forma que um e-mail, por mais bem escrito que seja, jamais conseguiria.”
Há um segundo efeito, mais difícil de comprar em mídia: o contexto. Um presente recebido durante uma comemoração nacional pode se incorporar à memória daquele momento e, quando tem utilidade real, continuar presente na rotina muito depois de a festa terminar.
O produto foi a última decisão
Segundo a Luminati Brindes, o projeto não começou pela escolha do item. Começou por um roteiro de perguntas que a empresa aplica a projetos de gifting corporativo: qual o objetivo da ação, qual a intenção da marca com aquele brinde, como ela quer ser lembrada, como quer ser percebida por quem vai receber.
“Depois a gente cria algo que faça sentido para o público, e só então o produto nasce”, resume Renato Schaimberg. “Porque não é sobre simplesmente dar algo. É sobre criar uma lembrança de marca.”
A solução escolhida foi a Vetra RPET, da Luminati Brindes, uma garrafa personalizada de 600 ml que reunia atributos importantes para o projeto. Produzida em RPET, material obtido a partir do reaproveitamento de PET, ela acrescentava à ação um componente de sustentabilidade sem abrir mão da estética. O corpo translúcido, a base em alumínio e a alça de silicone criam um design contemporâneo e leve, enquanto o formato favorece o uso cotidiano e o transporte.
Mas a escolha não foi apenas estética. Era preciso equilibrar percepção de valor, utilidade, conceito sustentável e custo unitário dentro do orçamento previsto para a ação. A garrafa permitiu chegar a esse ponto de equilíbrio: um produto com aparência atual e atributos percebidos pelo usuário, mas viável para distribuição em maior escala.
Personalizada no azul da Brasper, a Garrafa para brinde transformou ainda o próprio material translúcido em parte da identidade visual da ação. O nome da empresa aparece em branco na parte inferior do corpo, acompanhado pelo endereço do site.
Dois detalhes contam mais sobre a estratégia do que a ficha técnica.
O primeiro é a grafia. A garrafa traz “BrasPer Transferencias”, em espanhol, sem o cedilha do português. Num evento em que o espanhol é a língua da celebração e, para muitos, também a língua de casa, isso deixa de ser um detalhe de arte-final. É uma maneira simples de a marca se comunicar no código cultural de quem recebe.
O segundo é o site impresso sob o logo. A garrafa leva consigo o caminho de volta até a empresa, prolongando a função do objeto para além do evento.
A própria categoria também contribuiu para a escolha. Garrafas são objetos de uso recorrente: acompanham a pessoa no trabalho, na academia, no carro ou na mochila personalizada. Em vez de gerar uma exposição pontual, o brinde pode inserir a marca repetidamente na rotina de quem o recebeu.
Nesse sentido, o RPET acrescenta uma camada à mensagem. Um material que nasce do reaproveitamento de plástico descartado ganha uma nova vida como objeto pensado para ser utilizado muitas vezes, uma característica coerente com a ideia de escolher um brinde que permaneça, em vez de simplesmente distribuir algo.
O que a marca leva de volta
Distribuídos durante o evento, os brindes ligaram o nome da Brasper à celebração e seguiram com os participantes depois dela. Um dia de festa ganhou potencial para se transformar em meses de circulação da marca.
Há ainda o componente institucional. Participar de uma celebração ao lado do Consulado Geral do Peru coloca a empresa em um ambiente relevante para a comunidade que atende, sem depender apenas dos pontos de contato digitais normalmente utilizados por uma fintech.
“Participar das Fiestas Patrias ao lado do Consulado Geral do Peru em São Paulo foi uma honra e uma oportunidade única de nos conectarmos com a comunidade peruana em um momento tão significativo. Os brindes da Luminati Brindes nos ajudaram a reforçar essa proximidade de forma autêntica”, afirma Andrea Broncano, COO da Brasper Transferências.
O que dá para levar daqui
Em marketing dirigido a comunidades de identidade cultural forte, o critério é o momento, antes do alcance. Impactar a mesma pessoa doze vezes ao longo do ano, de forma dispersa, entrega menos do que estar presente no único dia em que ela se reúne com os seus para celebrar de onde veio.
Repertório é a outra metade. Um item que conversa com o público mostra que a marca escolheu a partir de quem vai receber, e isso custa pouco. Na ação da Brasper, a decisão mais barata de toda a produção, grafar “Transferencias” em espanhol, foi provavelmente a que mais comunicou proximidade.
“Presente bom é o que a pessoa reconhece como dela. Por isso a gente começa entendendo o público, e não o catálogo. É aí que se escolhe um item que valorize a marca e o momento”, diz Renato Schaimberg.
ara uma fintech que movimenta dinheiro entre dois países, a estratégia foi curiosamente física: colocar a marca em um objeto útil, pensado para permanecer na rotina e falar, literalmente, a língua de seu público.
[1] Banco Central de Reserva do Peru (BCRP). Remessas de peruanos residentes no exterior somaram US$ 5.368 milhões em 2025, alta de 11,7% sobre 2024

