Com o avanço das buscas por inteligência artificial, presença em veículos jornalísticos e fontes especializadas ganha uma nova função na construção da visibilidade das marcas
Por Amanda Ivanov, Jornalista e Fundadora da Imersão Agência
Durante anos, as empresas aprenderam que estar bem posicionadas na internet significava ter um bom site, investir em SEO e produzir conteúdo com frequência. Essa lógica continua importante, mas uma nova camada começa a influenciar a forma como consumidores e empresas descobrem marcas: as respostas geradas por inteligência artificial.
Hoje, perguntas como “quais são as principais empresas deste mercado?”, “qual fornecedor é referência neste setor?” ou “quem são os principais players dessa área?” já são feitas diretamente ao ChatGPT, Gemini, Claude e outras ferramentas.
A questão passa a ser: quando alguém faz uma dessas perguntas, sua empresa aparece na resposta?
Essa discussão está relacionada ao chamado Generative Engine Optimization, ou GEO, conjunto de estratégias voltadas à presença de marcas e conteúdos em mecanismos de busca baseados em inteligência artificial.
Mas há uma diferença importante em relação ao SEO tradicional. Essas ferramentas não consideram apenas aquilo que uma empresa publica em seu próprio site. Elas também podem encontrar informações em veículos jornalísticos, publicações especializadas, estudos, fóruns, redes sociais e outras fontes independentes.
É nesse ponto que relações públicas e assessoria de imprensa passam a ganhar uma nova dimensão.
Um levantamento da Muck Rack, publicado em 2026, analisou mais de 25 milhões de links citados em respostas do ChatGPT, Claude e Gemini. Segundo o estudo, 84% das citações analisadas vieram de earned media, ou seja, conteúdos conquistados de forma espontânea em fontes externas, enquanto 27% dos links eram de fontes jornalísticas.
Isso não significa que aparecer em uma reportagem garanta que uma empresa será recomendada por uma inteligência artificial. O dado mostra, porém, que fontes independentes têm peso relevante no ambiente de informação utilizado por essas ferramentas.
Há uma diferença entre uma empresa afirmar em seu próprio site que é referência em determinado mercado e diferentes fontes externas associarem essa marca ao mesmo tema ao longo do tempo.
Quando uma organização aparece em reportagens sobre seu setor, seus executivos são entrevistados como especialistas e a empresa é mencionada junto de outros players relevantes, ela passa a construir um histórico público de autoridade e contexto.
E essa ação não depende apenas dos grandes jornais. A própria Muck Rack identificou mais de 20 mil veículos jornalísticos diferentes sendo utilizados como fonte pelas inteligências artificiais. Isso inclui grandes publicações, mas também veículos de nicho, imprensa regional e publicações altamente especializadas.
Para empresas B2B, esse ponto é especialmente importante. Muitas vezes, uma matéria em um veículo específico de determinado setor pode ser mais relevante para uma pergunta técnica do que uma citação genérica em um portal de grande audiência.
Redes sociais e comunidades também fazem parte dessa equação. Estudos da Semrush mostram que plataformas como Reddit e LinkedIn aparecem com frequência entre os domínios citados por mecanismos de busca com IA. Esse peso, porém, muda de acordo com a plataforma, o tipo de pergunta e o contexto.
Por isso, GEO não deve ser entendido como uma técnica isolada ou como uma nova versão do SEO. Ele amplia a importância de uma presença digital distribuída.
Nesse cenário, PR deixa de ser apenas uma estratégia para gerar exposição ou clipping. A imprensa também contribui para formar o conjunto de referências externas que ajudam outras pessoas, e agora também sistemas de inteligência artificial, a compreender quem é uma empresa, em que mercado ela atua e sobre quais temas possui autoridade.
Uma reportagem publicada hoje pode permanecer acessível, indexada e relacionada a uma marca por anos. Quando esse histórico se acumula em diferentes fontes, cria-se uma presença digital que vai além dos canais próprios da empresa.
Não é apenas a marca dizendo quem ela é. São veículos, especialistas e outras fontes independentes ajudando a contextualizar essa marca dentro de um mercado.
Durante muito tempo, a pergunta foi: “minha empresa aparece no Google?”.
Agora surge uma nova: quando alguém pergunta ao ChatGPT quem são as referências do seu setor, o que a internet ensinou a ele sobre a sua empresa?

